A superlotação de hospitais municipais em cidades-polo deixou de ser um problema pontual e passou a representar um dos maiores desafios da saúde pública no Brasil. Em Santarém não é diferente. Diariamente, essas unidades recebem uma demanda muito superior à sua capacidade, não apenas da população local, mas também de pacientes vindos de municípios vizinhos que não dispõem de estrutura mínima de atendimento hospitalar. Esse fluxo constante sobrecarrega equipes, leitos e serviços de urgência, comprometendo a qualidade do atendimento e aumentando o tempo de espera.
1. Falta de estrutura hospitalar em municípios vizinhos
Muitos municípios menores ou com baixa arrecadação não possuem hospitais ou serviços de urgência e emergência equipados. Isso obriga a população desses municípios a buscar atendimento em cidades-polo, que acabam recebendo demanda muito maior que sua capacidade planejada.
➡️ Resultado: aumento da fila de espera, redução da qualidade do atendimento e maior tempo de permanência dos pacientes.
📌 Esse fenômeno é chamado de “migração assistencial”, quando pacientes se deslocam sistematicamente para outras localidades para conseguir atendimento.
2. Centralização de serviços especializados
Hospitais de maior porte, localizados em cidades-polo, concentram serviços como cirurgias de média e alta complexidade, exames avançados e leitos de terapia intensiva (UTI). Municípios menores muitas vezes não têm condições financeiras, gerenciais ou técnicas de manter esse nível de atendimento, o que agrava o fluxo para os centros urbanos.
➡️ Causa secundária da superlotação: atendimento em níveis de complexidade que deveriam estar mais próximos da população.
3. Insuficiência no financiamento da saúde municipal
O financiamento da saúde no Brasil — principalmente em municípios menores — enfrenta gargalos:
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Recursos do SUS insuficientes para manter estruturas avançadas de atendimento.
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Dependência de repasses estaduais e federais para custeio de serviços e compra de equipamentos.
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Ausência de receita própria suficiente para investir em infraestrutura.
📌 Resultado: municípios não conseguem planejar nem expandir serviços básicos de saúde.
4. Crescimento populacional e epidemiológico
O aumento da população urbana nas cidades-polo e a maior incidência de doenças crônicas (como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares) aumentam a demanda por atendimento hospitalar. Mesmo a população local — sem contar os pacientes de outras cidades — pressiona a capacidade instalada.
5. Rede de atenção à saúde fragmentada em outros municípios
Quando a atenção básica e os serviços de prevenção e promoção da saúde de cidades vizinhas estão fracos ou desarticulados, as doenças progridem até estágios que exigem internação hospitalar, gerando maior procura por leitos que poderiam ser evitados.
🛠️ Efeitos da superlotação nos hospitais-polo
✔ Atrasos no atendimento de urgência e emergência
✔ Aumento de episódios de infecção hospitalar
✔ Sobrecarga de profissionais de saúde
✔ Alta rotatividade de leitos e maior pressão por desocupação
✔ Saturação do sistema de regulação de leitos
💡 Solução proposta: investimentos em saúde nas Prefeituras sem hospitais
🎯 Objetivo
Construir ou modernizar hospitais municipais nos municípios que hoje não possuem estrutura mínima de saúde pública hospitalar, reduzindo a pressão sobre os hospitais das cidades-polo.
📌 Por que essa solução funciona?
🟢 Descentralização do atendimento
Com hospitais funcionando em mais municípios:
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Atendimentos de urgência e emergência passam a ocorrer mais próximos da residência do paciente.
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Reduz o deslocamento de pacientes para cidades-polo.
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Hospitais das cidades-polo podem focar em casos de média e alta complexidade.
🟢 Fortalecimento da Atenção Primária
Investimentos municipais podem incluir:
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UPAs, SAMUs e centros de saúde bem equipados.
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Capacidade de triagem e estabilização de urgências.
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Redução de casos que evoluem para internações desnecessárias.
🟢 Melhor distribuição de recursos
Com hospitais estruturados localmente:
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Menor gasto com transferências de pacientes para outras cidades.
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Atendimentos resolvidos mais rapidamente, com menos pressão sobre grandes centros.
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Potencial para contratação e fixação de profissionais de saúde na própria região.
📉 Impactos esperados a médio e longo prazo
| Indicador | Situação Atual | Com Investimento Municipal |
|---|---|---|
| Taxa de ocupação dos hospitais-polo | Altíssima | Redução |
| Tempo de espera por atendimento | Longo | Redução significativa |
| Deslocamento de pacientes | Frequente | Diminui |
| Pressão sobre urgência e emergência | Alta | Alivio |
| Qualidade do atendimento | Comprometida | Melhora |
Exemplo de sucesso:
🏥 1. Magé (Rio de Janeiro) – Hospital Municipal de Magé
✔️ O município da Baixada Fluminense (RJ) o Hospital Municipal de Magé, uma unidade reformada e ampliada que passou a contar com cerca de 62 leitos, incluindo CTI, emergência pediátrica, centro cirúrgico e exames de diagnóstico como tomografia e raio-X, além de atendimento 24 h.
➡️ Impacto:
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Ampliação da oferta de serviços hospitalares públicos no município.
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Expectativa de atendimento diário significativo (centenas de atendimentos por dia).
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Redução da necessidade de deslocamento de pacientes para outras cidades para casos que agora podem ser tratados localmente.
📌 Resumo da Solução
Para enfrentar a superlotação de hospitais em cidades-polo causada pelo fluxo de pacientes de municípios sem estrutura de saúde:
➡️ Prefeituras devem investir em hospitais municipais e serviços de saúde essenciais, garantindo atendimento básico e intermediário no próprio município e reduzindo a sobrecarga dos grandes hospitais.
Essa abordagem exige planejamento, financiamento, capacitação de profissionais e integração com a rede de saúde estadual e federal, mas representa um caminho sustentável para melhorar a qualidade e a eficiência do atendimento público de saúde em todo o território.
